Embora seja um pressuposto teórico, que a aprendizagem é pessoal e intransferível, as instituições, na sua grande maioria, ignoram esses pressupostos e tiram as oportunidades dos alunos de construírem os seus próprios conhecimentos, uma vez que a prática pedagógica caracteriza-se por conduzi-los a uma aprendizagem mecânica, pautada em modelo passivo, receptivo, autoritário e competitivo.
Pacheco (1996) afirma que os Currículos precisam atentar-se para à “valorização da individualidade do sujeito e da sua cognição, das atitudes e valores, ao respeito pelas diferenças individuais e à procura de um desenvolvimento global e contínuo.”
Partindo sempre do pressuposto de que o aluno não sabe nada e que deveremos impor conteúdos e obrigá-los a dominá-los. Muitas das dificuldades de aprendizagem encontradas pelos alunos podem estar no processo de comunicação e no processo motivacional. Não é tarefa fácil identificar e selecionar conteúdos curriculares que protejam os interesses dos alunos.
NOSSA apud SCHWEZ, 1999, p.56 afirma que:
O professor tem de ter a capacidade e o Dom de provocar atitudes sobre os conteúdos de ensino e sobre o próprio aprendizado, por meio de uma comunicação motivadora. Deve dar condições ao aluno para que este ao sair da influência exercida, tenha atitudes tão favoráveis quanto possíveis baseando-se num comportamento visível e positivo.
Ao identificar a carência do educador em proporcionar uma atitude aprendente nos educandos é que abordamos a necessidade do educador refletir a sua prática docente e caminhar para uma mudança de atitudes e ações.Pacheco (1996) comenta que “para o professor tornar-se um investigador, exige-se-lhe que reúna as capacidades de um profissional amplo (em oposição a um profissional restrito) e demonstre uma atitude investigativa”.
Em oposição a uma prática conservadora, tradicional e tecnicista surge a aprendizagem autônoma, tema que de início sugere três questionamentos:
- o que é aprendizagem autônoma ?
- para que serve?
- em que situação é desejável ou necessária?
Respondendo à primeira pergunta carecemos de definir o que é autonomia, que no momento presente é bastante utilizada, significando na verbete da nossa língua “faculdade que tem o indivíduo de governar, de se decidir.”
Transportando-se para a aprendizagem autônoma, está implícito que, nesse processo o aluno deve ser responsável pela sua aprendizagem, o que não está subentendido a eliminação do professor na gestão de atividade de ensino. No Ensino a Distância essa atitude do aluno é inevitável para desenvolver o seu espaço do aprender, pois a mesma é essencialmente auto-estudo.
Para saber como o indivíduo aprende, devemos saber como pensa o educador, o ser que somos é um ser em aberto e o educador precisa desenvolver possibilidades de investigação, sair da idéia de senso comum e permitir que o outro aja com a sua singularidade. Pacheco (1996) comenta que o Aprender a aprender é o objetivo mais ambicioso e ao mesmo tempo irrenunciável da educação escolar – equivale a ser capaz de realizar aprendizagens significativas por si mesmo numa ampla gama de situações e de circunstâncias.
Para o desenvolvimento de uma aprendizagem autônoma, o educador deve, mesmo que seja difícil, mas se for desejável, assumir uma posição de renúncia ao poder oferecido pelo próprio “lugar” de professor – aquela posição que permite a alguém controlar outros, no caso, os alunos.
A Aprendizagem Autônoma está fundamentada nos princípios da Epistemologia Genética, teoria que explica a construção do conhecimento nos seres humanos.
Galeffi (2002, p. 17) afirma que “Só se aprende o que se mostra necessário no pensar-ser. Só o necessário pode ser aprendido em seu evento”.
A Segunda questão é de ordem prática e não constitui tarefa difícil de respondê-la, visto que são inúmeras as vantagens da aprendizagem autônoma para o aluno e o professor.
É nesta concepção que HAIDT (1994:61) afirma que:
quando o professor concebe o aluno como um ser ativo, que formula idéias, desenvolve conceitos e resolve problemas de vida prática através de sua atividade mental, construindo, assim, seu próprio conhecimento, sua relação pedagógica muda. Não é mais uma relação unilateral, onde um professor transmite verbalmente conteúdos já prontos a um aluno passivo que o memorize.
A utilização dessa alternativa é aconselhável, mesmo que alguns admitam a inexistência de ganhos pedagógicos (o que não concebemos), pois quando você alimenta no outro a potencialidade de crescimento ele busca sua independência e auto-afirmação e a aprendizagem ocorrerá não de forma dicotômica, distante e distorcida, mas pelo contrário, interligada e interdependente com todas as relações significativas mantidas com o aluno.
Essas questões nos remete a uma reflexão da necessidade de uma intervenção pedagógica construtivista propiciando nos educandos condições adequadas para que os esquemas de conhecimento, construídos pelos alunos, sejam os mais corretos e o professor não deve ficar na posição de mero transmissor de conhecimentos, pois no EaD esse modelo é obsoleto pois sua característica básica é a não convencionalidade em relação à sala de aula, das dimensões espacial e temporal e da relação professor-aluno.
Poderíamos elencar várias vantagens da aprendizagem autônoma, entretanto citaremos algumas segundo CARVALHO (1994):
- permite ao aluno aprender melhor e buscar maior aprofundamento nos assuntos de seu interesse, uma vez que o professor, diante das exigências curriculares institucionais e o tempo disponível, desenvolve conteúdo considerado essencial, não lhe permitindo condições de atender as opções dos alunos;
- contribuir para enriquecer os conhecimentos dos alunos. Podemos perceber por exemplo, quando o professor respeita as diversas opiniões dos alunos sobre um mesmo assunto;
- o aluno aprende a se libertar da dependência do professor e passam a descobrir formas alternativas de construir o conhecimento.
O que se percebe na dependência do aluno pela orientação do professor faz parte do jogo do poder na sala de aula e, na maioria das vezes, é alimentado pelo próprio professor, quando exige que a tarefa seja rigorosamente cumprida conforme determinação. Aproveitando as afirmativas do Prof. Serpa (2002) “ a Liturgia da sala de aula precisa ser quebrada, estamos muito ajustados à ordem social.” (Informação verbal).
O Ensino na maioria das vezes tem sido autoritário onde o professor determina o que o aluno deve aprender e como deve responder nas avaliações sendo mero reprodutor de idéias alheias. Precisa-se preparar o aluno para o exercício da cidadania e realizar opções conscientes na vida. No ensino a Distância o professor precisa perceber a potencialidades desta modalidade de ensino sem fazer paralelos com a ensino presencial.
O que percebe-se é o grau de dependência dos alunos, em virtude do modelo que tem recebido no lar, no meio social de sua convivência e chegando até as Instituições de Ensino onde são dadas poucas oportunidades de decidir, tornando o indivíduo dependente e com características marcantes de meros reprodutores, e no ensino a distância isso precisa ser repensado e imediatamente modificado.
A terceira questão envolve as diferentes situações escolares e as formas básicas de aprendizagem autônoma que, por sua vez, para serem caracterizadas, exigem que os alunos adquiram a capacidade de:
- estabelecer contatos, por si mesmo, com fatos e idéias, analisando-as;
- ter capacidade de compreender fenômenos e textos e de usá-los espontaneamente;
- planejar, por iniciativa própria, ações e buscar soluções para o problema;
- desenvolver atividades que possibilitem manejar as informações mentalmente, de forma independente.
Na aprendizagem autônoma, pode-se reconhecer três componentes que desempenham importante papel em todo o processo: O Componente do saber, o do saber fazer e o do querer.

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